sexta-feira, 8 de abril de 2011

Quando a esperança está dispersa só a verdade me liberta...

"Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo e nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola, as crianças mortas
Celebrar nossa desunião, vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza, vamos celebrar nossa vaidade.

Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas, os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre e todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros, nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo, nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação, todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias: É a festa da torcida campeã.

Vamos celebrar a fome, não ter a quem ouvir não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade, vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio, tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional (A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade e comemorar a nossa solidão.

Vamos festejar a inveja, a intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.

Venha, meu coração está com pressa, 

Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta, chega de maldade e ilusão.
Venha, o amor tem sempre a porta aberta, evem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça: Venha, que o que vem é perfeição

                                   (Perfeição - D.Villa-Lobos/R.Russo/M.Bonfá)

         

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